“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só; mas, se morre, produz muito fruto.” (João 12,24)
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Senhor Jesus, aqui estou diante de Ti, com o coração aberto. A Tua Palavra, como uma luz, ilumina uma verdade profunda e libertadora, ainda que desconfortável: a semente, para dar vida, precisa primeiro morrer.
E eu confesso, Pai, como é difícil este morrer. É um desafio para o meu orgulho, para a minha necessidade de ter sempre a última palavra. É uma despedida dolorosa de sonhos que alimentei por tanto tempo e de expectativas que construí com minhas próprias mãos.
Mas a Tua promessa, Senhor, transforma a minha perspectiva. Tu não falas de uma morte que é ponto final, mas de uma morte que é passagem, que é o único caminho para a fecundidade.
Por isso, peço: ensina-me a compreender os Teus processos.
Existem fases na vida em que tudo parece ser queda. Momentos em que me sinto enterrado… incompreendido, esquecido, até mesmo silenciado. Há tempos em que a minha oração parece ecoar no vazio, sem respostas visíveis.
Mas hoje, a Tua voz me recorda com ternura: quando a semente está sob a terra, o céu não está inativo. O Teu agir é constante, mesmo quando meus olhos não podem ver. No exato momento em que tudo parece imóvel, algo profundo já começou a nascer.
Ajuda-me, Pai amado, a suportar o tempo do subterrâneo. Porque o que mais fere não é apenas a queda, mas a espera pelo resultado. É a travessia no silêncio, a confiança quando tudo ao redor grita que nada está acontecendo.
Fortalece-me, Senhor, quando eu estiver no escuro do solo, nesta fase invisível do processo, que ninguém aplaude, que ninguém reconhece. Se estou vivendo um tempo de aparente esquecimento, concede-me maturidade espiritual. Se atravesso perdas que não compreendo, inunda-me de confiança. Se sou chamado a renunciar a algo que amo, que a obediência seja a minha força.
Eu reconheço, Senhor: tantas coisas precisam morrer dentro de mim. É preciso que morra a vaidade que mendiga reconhecimento, a dependência da aprovação dos outros e o apego aos planos que não nasceram do Teu coração. É urgente que morra a pressa, a ansiedade e o medo de desaparecer… pois o grão que não aceita a terra, permanece só.
E eu não quero ficar sozinho em minhas certezas limitadas. Eu desejo, com toda a minha alma, frutificar segundo a Tua vontade.
Dá-me a graça de aceitar o processo, Senhor. Quando eu me sentir pequeno, lembra-me que é da pequenez que brota a vida. Quando eu me sentir enterrado, sussurra ao meu coração que não estou sendo descartado, mas sim, plantado. E quando eu me sentir desfeito por dentro, que eu possa crer que a transformação já começou no invisível.
Espírito Santo, sustenta-me no tempo da espera. A semente leva tempo. O crescimento começa onde ninguém vê. A raiz se firma muito antes da espiga aparecer. Ensina-me a valorizar o que está sendo formado no secreto, a confiar no que ainda não floresceu.
Quantas vezes, Senhor, eu quis colher o fruto antes do amadurecimento… Quantas vezes reclamei do processo, sem perceber que era justamente ele que estava me preparando.
Hoje, eu Te entrego minhas expectativas desordenadas e meus sonhos desalinhados. Se for necessário que algo em mim morra para que um propósito maior nasça, eu digo: eu confio.
Não busco uma vida que apenas impressiona, mas uma vida que frutifica. Não anseio por aplausos passageiros, mas por raízes profundas em Ti. Trabalha em mim, Senhor, quando ninguém estiver vendo. Esculpe em mim o caráter de Cristo. Cava em mim profundidade espiritual.
Que eu não desista no meio do caminho. Que eu não interprete o Teu silêncio como abandono, nem a lentidão como ausência da Tua ação. Porque quando o broto finalmente rompe a terra, ele é a prova de que um milagre já estava acontecendo no secreto.
Hoje, eu descanso nesta verdade: mesmo que eu não veja, Tu estás preparando. Mesmo que eu não sinta, Tu estás transformando. O Teu agir é constante.
Senhor Jesus, dá-me a coragem de morrer para tudo o que me limita, para poder viver a vida abundante que me expande em Ti. Que eu abrace o processo, que eu respeite o tempo, que eu confie no que vai surgir.
E quando o fruto aparecer — porque ele aparecerá — que a glória não seja minha. Que eu jamais me esqueça que tudo começou no dia em que, em um ato de fé, eu aceitei cair em Tuas mãos.
Recebe, Senhor, esta entrega. Se preciso for, planta-me de novo. Mas, por favor, não me deixes estéril.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amém.